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Ou o Asik é um tanque, ou os dois rapazes do Thunder frequentaram a mesma escola de teatro..
By Marcos Zapater
Existe uma diferença enorme, gigantesca, entre um sexto homem e um franchise player. Não fosse por uma ótima marcação de Francisco Garcia em cima de Kevin Durant no último ataque do jogo de ontem, os Rockets estariam fora dos playoffs. Isso e, claro, o fato de James Harden dever um sorvete pro Ibaka. Ê, Ibaka, era só respirar!
Mas voltemos a falar do James Harden. Pros nascidos em meados da década de 80, é difícil se lembrar de um time do Rockets que realmente valesse a pena assistir. Tirando o “sonho” que foram as temporadas de 94 e 95, nada mais aconteceu (pegaram a brincadeirinha?), nem deve acontecer e por quê? Porque o James Harden é o cara por lá e ele não presta pra isso. Revejam o final do jogo de ontem. Todas as bolas eram nele. Todas. Igual é feito com Paul Pierce, com Kobe Bryant, com Kevin Durant e Lebron James.
O cenário era igualzinho. Todo mundo deixava o cara jogar e o cara errava. Nunca na cabeça dele correu a possibilidade de passar a bola. Não era o dia dele, ele tava mal no jogo, tinham dois caras em quadra que tavam bem e ele chutou todos os ataques. Ele errou todos os ataques. Not 1, not 2, not 3. Errou o último quarto inteiro. Ontem, os Rockets ficaram a um tantinho assim de estarem fora dos playoffs e a culpa seria do James Harden.
Lembremos de outras figuras: Josh Smith, destaque do time que nunca deixa de ir pros playoffs e que nunca deixa de perder logo nas primeiras rodadas. JR Smith, lembra dele no Denver Nuggets? E Nate Robinson, o baixinho invocado que chuta o tempo todo. Caras que – todo mundo concorda – é muito legal ver jogar, caras que trazem vitórias pros seus times e que nos dias inspirados fazem a diferença (o próprio Robinson mostrou isso no jogo passado), mas que, todo mundo sabe - sem um outro cara em quadra pra colocar a bola debaixo do braço, sem um cara pra dividir a responsa - vão morrer na praia.
Se o barbudo não tivesse ido pra Houston, era capaz dos Rockets nem nos playoffs terem chegado e, talvez, a diferença entre levar o time pros playoffs e ganhar os playoffs seja bem parecida com a diferença entre os sextos homens e os franchise players.
Vamos encarar os fatos, o Houston Rockets não vai a lugar algum nestes playoffs. Mesmo contra um Thunder desfalcado de Russel Westbrook.
Ainda assim, ontem eles viveram o seu momento de glória ao vencer o primeiro jogo da série num jogo parelho até o último segundo. Agora, quem viveu MESMO seu momento de glória foi Carlos Delfino.
Sabe aquele seu amigo trintão que adora contar umas lorotasda época que jogava basquete? Que jogou contra o fulano da seleção brasileira, que deu um toco no Leandrinho quando jogava no infantil do Palmeiras, que humilhou o Marcelinho Huertas num amistoso contra do mirim do Paulistano…
Então, esse cara é o Carlos Delfino daqui a alguns anos, na mesa do bar. Tá vendo esse cara aí? Tal de Durant? Ganhou três títulos da NBA, quatro MVPs, cestinha da temporada nove vezes e pegou a Rhianna? Então, uma vez enterrei na cara dele… desce mais uma cerveja aí, Pablo! E não foi qualquer joguinho, não. Foi nos playoffs!
Sorria, Durant, você está no pôster!
Como é bom este climinha de playoff… muita rivalidade, um certo trash-talk e vez por outra uma bolada na fuça.
Oklahoma City Thunder X Houston Rockets
O Rockets abusou da possibilidade de perder jogos no final da temporada, e acabou ficando em último no oeste, atrás mesmo do capengante Los Angeles Lakers. Agora, vai ter que encarar o poderoso Oklahoma City Thunder, que assegurou a melhor campanha da conferência após uma disputa equilibrada com o San Antonio Spurs.
Se o Miami não estivesse voando tão alto, o time de Oklahoma seria apontado como um dos favoritos ao título. Mas favoritismo, nesta temporada, é só do time de LeBron mesmo. Então, tratemos o time de Kevin Durant como principal concorrente do Heat na disputa pelo anel.
Kevin Durant. Ê, menino bom de bola esse. Se alguém conseguir tirar o MVP de LeBron, esse alguém será Durant. Ele quase foi, mais uma vez, o cestinha da temporada regular. Mas foi poupado na reta final e o título ficou com Carmelo Anthony.
Mas falando do confronto do playoffs, vai ser interessante ver James Harden enfrentando o ex-time na pós-temporada. Harden fez uma temporada espetacular em Houston, e talvez deixou o pessoal em Oklahoma meio arrependido por não ter oferecido um contrato mais lucrativo pro cara.
Harden também contou com a companhia de Jeremy Lin – que não foi brilhante como nos tempos de Linsanity, mas mostrou muita regularidade – e também dos bons Omer Asik, Chandler Parsons, e por aí vai.
Mas dificilmente o equilibrado elenco do Rockets vai dar conta de um time tão bom quanto o OKC. O Rockets, talvez, já tenha cumprido sua missão de ir ao playoffs. Talvez, se tivesse ficado numa posição melhor, poderia avançar. Mas o Thunder não briga por outra coisa que não o título da NBA, e o time de Houston não deve ser páreo pra isso.
Palpite: Oklahoma City Thunder 4 x 2 Houston Rockets
O vídeo acima é de um jogo que não faz nem tanto tempo assim. Foi em março de 2008.
O Houston Rockets, de Tracy McGrady, Luis Scola e cia, tinha acabado de estabelecer a segunda maior sequência de vitórias da história da NBA, com 22 triunfos consecutivos.
Mas tinha um desafio importante: receber o Boston Celtics, do recém-formado Big Three, que, mais tarde, viria a conquistar o título naquela temporada.
Mesmo jogando em Houston, o Celtics fez valer a principal característica daquele time campeão: a defesa. O Rockets não passou dos 80 pontos e perdeu por 94 a 74.
Caia ali, como dissemos, a segunda maior sequência de vitórias na história da NBA. Os 22 triunfos ficavam atrás, apenas, da sequência do Lakers, de 33 vitórias, estabelecida entre 1971 e 72.
Pois eis que, quase que exatamente cinco anos depois (a derrota do Rockets para o Celtics foi no dia 16/03/08), o Celtics se depara novamente com a segunda maior sequência de vitórias da história.
O adversário, desta vez, é o Miami Heat, de LeBron James, Dwyane Wade, Chris Bosh e cia. Falar que um time que não sabe o que é perder há 22 jogos está embalado é pleonasmo. Mais do que embalado, o Heat começa a dar sinais de que a disputa na NBA, neste ano, vai ser apenas pelo vice-campeonato. Ou alguém é capaz de dizer que eles não são, desde já, os grandes favoritos ao bicampeonato?
Celtics e Heat, por si só, já é um jogo que merece muita atenção. Os dois times fizeram a final do Leste no ano passado, decidida apenas no sétimo jogo, depois do time da Flórida sair do buraco.
O Heat tem, claramente, dificuldades quando enfrenta o Celtics. Quando vai a Boston então, ainda mais. São 10 derrotas consecutivas em jogos da temporada regular, e a menor média de pontos quando joga fora de casa contra qualquer outro time da liga. Acha que acabou? É contra o Celtics que Dwyane Wade tem a menor média de pontos da carreira. São ‘apenas’ 21,3 por jogo.
Com Derrick Rose fora de combate, o Knicks sofrendo com as lesões de sempre e o Pacers ainda sem despertar muita confiança, não tem pouca gente que aposta que se tem um time no lado leste que pode desbancar o Heat, esse time é o Celtics.
A sequência de vitórias, a gente já viu que o time de Boston é capaz de quebrar mesmo.
Ah, como se não bastasse todos esses atrativos, o jogo ainda reserva mais um encontro de Ray Allen com o pessoal de Boston. Com os playoffs chegando e o clima se acirrando, qual será a reação dos torcedores? No primeiro encontro, até que foi respeitosa.
Será que a história vai se repetir e o Celtics acaba com mais uma sequência histórica de vitórias? Ou o Heat segue fazendo história e vai busca do recorde do Lakers? É esperar pra ver!
Já faz 10 anos essa enterrada do Kobe sobre o Yao!
Agora sim, James Harden já pode ser elevado à condição de estrela. Porque, cá entre nós, não é um votação de All Star que faz de um cara uma estrela.
Não é ser o go-to-guy de um time mediano que faz de um cara uma estrela.
Não é uma barba estilosa que faz de um cara uma estrela.
É tudo isso, somado a uma boa dose de trash talk!
Se algum leitor souber ler lábios, por favor, sacie nossa curiosidade. Enquanto isso, Kevin Garnett ri alto lá em Boston.
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