O locaute, o megaiate e os 1%

Tá vendo este iate aí em cima? Esse que mede 125m e tem entre seus “acessórios” dois submarinos, dois heliportos, um estúdio de música e uma quadra de basquete. Pois bem, ele pertence a Paul Allen, dono do Portland Trail Blazers, o que talvez explique a presença da quadra.
Co-fundador da Microsoft, bilionário e com dinheiro para acender seu charuto com notas de US$ 100, Paul Allen é um dos chamados “hardline owners”, grupo que bateu o pé contra os pedidos dos jogadores e foi apontado por muita gente como um dos responsáveis pela balbúrdia que virou a negociação do locaute da NBA (os outros seriam Atlanta, Charlotte, Indiana, Memphis, Milwaukee, Minnesota, Philadelphia e Washington).
Pois é, este sujeito queixa-se que seu time, o Portland Trail Blazers - um dos mais tradicionais da NBA e cuja arena foi financiada com mais de 80% de dinheiro público - tem dado prejuízo e por isso se opôs à contraproposta dos atletas.

Houve um período em que proprietários viviam pelo e para o time, e fazer aquilo render determinava se haveria ou não presentes debaixo da árvore de Natal de seus filhos. Isso até os anos 70 e começo dos anos 80, quando a televisão e o dinheiro entraram com tudo na NBA. A partir daí, esporte e entretenimento se misturaram, e atletas passaram a ser pagos como estrelas do showbusiness.
Os donos de equipes deixaram de ser os empresários locais e identificados com a comunidade da cidade que abrigava os times. Hoje, bilionários têm nas franquias apenas mais uma forma de investimento, que na realidade é quase um hobby ou uma forma de também se projetar ao status de “celebridade” (pense no Mark Cuban).
É na mão dessas pessoas que está a NBA. Quando tudo ia bem era uma maravilha, mas quando a economia balançou eles notaram que talvez tivessem cometido alguns equívocos. Por equívocos entenda-se os contratos fora da realidade assinados por Rashard Lewis e Gilbert Arenas, para citar dois exemplos que já viraram referência nessa discussão.
O período de renegociação do contrato coletivo surge como o momento de corrigir anos de cagadas, deslumbramentos e alguns milhões de dólares mal investidos. E cá entre nós, que mal vai fazer uma temporada para um sujeito cuja fortuna é estimada em US$13 bilhões? É triste, mas na minha opinião, é isso.



































































